Archive for the Opinião Category

Uma opinião ao momento político do Brasil

Posted in Opinião on 4 dezembro, 2015 by Bruno Brasil

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Não quero emitir juízo de valor quanto ao impedimento da nossa presidente da República, porque nesse jogo existem muitos outros interesses e não apenas o suposto crime de responsabilidade fiscal ou improbidade administrativa.

Apenas acho que a Sra. Dilma Roussef não leu ou não prestou atenção nas razões explícitas para o Impedimento.
Chamar os jornalistas para falar ao povo Brasileiro que não tem conta na Suíça (numa clara insinuação ao presidente da câmara) não elucida nada, apenas reforça a briga pelo poder.

Jogar palavras ao vento, como se fosse respostas ao povo brasileiro não ajuda em nada.

A questão que pesa hoje não é uma responsabilidade de caráter pessoal (como se o impedimento fosse dado apenas por isso), mas na responsabilidade pelos meios corretos na condução do país. Veja:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1079.htm

Se essa situação servir pelo menos para sinalizar aos políticos que o voto não é uma carta assinada em branco como salvo-conduto para fazer aquilo que desejar, já é uma grande passo que damos para a democracia.

O impedimento é mais do que um instrumento legal é um instrumento de democracia, onde mais do que nunca o parlamento cumpre o seu devido papel de fiscalizar o executivo.

E se é infundado o pedido de impedimento que se prove e julgue pelos meios legais tais coisas, o que certamente reforçará ainda mais as instituições estabelecidas em nossa federação.

Bruno Brasil

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Bebida Alcoólica

Posted in Opinião, Reflexões on 19 fevereiro, 2014 by Bruno Brasil

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Bebida Alcoólica

Sei que é um assunto que ainda gera polêmicas e opiniões contrárias, mas quero pontuar algumas coisas que entendo serem importantes.

Nas escrituras o que temos descrito de bebida alcoólica é o vinho, pois era a partir de um fruto bem comum da época. Mas creio que podemos utilizá-la como base para qualquer outra bebida alcoólica.

O vinho era uma bebida comum em todo Israel e parte fundamental da cultura, por isso era também utilizado como expressão poética. Em ocasiões especiais (Gn.14.18), especialmente em festas (Et. 1.7; Jó. 1.18; Ec. 9.7; Jr. 31.12; Jo. 2). O vinho era sinal de provisão para o povo (Jl. 2.19). Jesus conta parábolas utilizando a figura da uva como exemplo.

O vinho era utilizado também para cura de feridas como o caso do bom samaritano que derramou vinho nas feridas do homem (Lc. 10.34) e também Paulo quando orienta Timóteo a que utilizasse de vinho em suas feridas de estômago (ITm.5.22).

Obs.: Há uma controvérsia se o vinho que a bíblia se refere, como recomendação para uso, era fermentado ou não, mas isso é uma questão que não posso fechar agora. Irei tomar como base o vinho que passou pelo processo de fermentação, ou seja, com teor alcoólico.

Embriaguez

Olhando as Escrituras é possível perceber que a embriaguez é um pecado (ICo. 6.9-11; Gl. 5.19-21), pois configura dominação (consciência) que é oposto do domínio próprio como fruto do Espírito (Gl. 5.23). Além disso, a embriaguez carrega o potencial de provocar outros pecados como, por exemplo, homicídio, brigas, adultério, incesto (IISm. 11.13; Pv. 23.29-35; Gn. 19.31-35).

Outros textos falam claramente sobre a bebida assumindo o domínio do indivíduo e que é reprovado pelas Escrituras. (Sl. 78.65; Pv.20.1, 23.20,30; Is. 28.1,7; Joel 3.3; Ef. 5.18)

Há também orientações aos pastores para que estes não sejam apegados a “muita bebida” (ITm.3.3).  Penso que aqui esteja implícita a questão do exemplo quanto à sobriedade.

O primeiro registro bíblico sobre o vinho é quando Noé planta uma vinha e acaba se embriagando, vindo a tirar a roupa e seu filho descobrir sua nudez (Gn.9.21). Certamente há uma lição que precisamos aprender aqui. O excesso geralmente nos faz cometer coisas absurdas.

Beber com moderação, pode?

O que é beber com moderação?

É certo que não podemos pensar em termos quantitativos, ou seja, quanto que eu posso beber, afinal, o que é moderação para um pode não ser para outro e, portanto, não temos um parâmetro para pensar nesses termos. Infelizmente o termo já se relativizou, pois estamos numa cultura de valores trocados. A moderação de hoje pode ser diferente de ontem e de amanhã…

Creio que podemos pensar em “moderação” a partir do que Paulo diz a Tito e a Timóteo nas Escrituras, veja:

“Ensine os homens mais velhos a serem moderados, dignos de respeito, sensatos e sadios na fé, no amor e na perseverança (Tt. 2.2).”

“Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério (IITm. 4.5).”

Pelo contexto é razoável que o termo se refere a uma atitude de equilíbrio, que não gere conflito de consciência (ofensa) a outras pessoas e por aí vai.

Então, beber ou não beber?

Existem aqueles que acham que a bebida deve ser radicalmente abolida e se o crente beber uma taça de vinho ou uma lata de cerveja já está em pecado. Outros – ao contrário – preferem radicalizar dizendo não haver nenhum problema ao se tomar bebida alcoólica.

Vejo que qualquer um desses caminhos é perigoso, pois de um lado alimenta-se uma preocupação muito mais com a estética de “não beber”, preocupando-se mais com o que se bebe do que porque se bebe. Do outro lado, aqueles que não veem problema algum, acabam indo a outro extremo e cometendo excessos que podem levar a consequências trágicas.

Penso que o exercício da própria consciência e respeito ao próximo deve pairar em qualquer tema inclusive nesse.

Liberdade, Consciência e Amor ao próximo:

Em Cristo o que nos regula na vida é a consciência dessa nova vida que temos.

Paulo diz que todas as coisas são puras para os puros (Tt. 1.15a) e feliz o homem que não se condena naquilo que aprova (Rm. 14.22).

Assim, a consciência acaba sendo mais crítica do que a Lei, pois as exigências da lei estão gravadas no coração e assim ela nos acusa ou nos defende, pois ela se amplia na subjetividade do coração (Rm. 2.15) e deve também considerar a consciência do próximo (Rm.14).

Hernandes Dias Lopes, um pastor que admiro diz que a ética cristã não se baseia somente no direito ou na consciência de cada um, mas no direito do outro e no amor ao próximo.

“Dessa maneira, não se pode fechar os olhos para a realidade de tantas tragédias pessoais decorrentes da bebida e das perspectivas da juventude brasileira, que está sendo consumida pelo álcool”.

Eu não encaro a questão da bebida como um dogma, mas dentro do tema da Liberdade Cristã que deve nos levar a algumas reflexões:

Em primeiro lugar para os que têm dúvidas se devem beber ou não, é melhor que não beba, afinal tudo que não provém de fé é pecado (Rm. 14.23);

Segundo, é necessário cuidar-se do “domínio próprio” que é uma das características do Fruto do Espírito. É importante considerar que, assim como em outros casos de vício, muitos têm dificuldades em perceber que está refém da bebida ou controlado por ela de alguma forma, até começarem os problemas. Assim é preciso vigilância e coragem para dizer “NÃO” muitas vezes;

A bebida ainda continua sendo uma poderosa arma nas mãos de Satanás para atingir as famílias e, portanto, todo cuidado é pouco. O exemplo na família, junto aos filhos principalmente, é fundamental.

Penso que é importante evitar também a bebida alcoólica na presença de pessoas não cristãs, porque qualquer vacilo pode ser fatal, além do mais, o álcool ainda está relacionado a diversas práticas condenadas nas Escrituras. Na presença de cristãos somente se estes tiverem em paz com relação a isso não sendo motivo de escândalo.

Agora, se alguém não consegue deixar de ingerir álcool devido ao grande sacrifício que se faz, então possivelmente se tem um problema nesta área e a bebida já exerça algum controle, sendo assim, talvez seja hora de radicalizar preferindo não beber até que se esteja em condições de fazer as escolhas de modo mais livre.

Resumindo, não creio que em si a bebida seja pecado, mas as questões acima ajudam a gente a perceber os perigos e a discernir como devemos agir diante dela.

Creio que na medida em que a consciência dos limites/consequências cresce tanto naquele que julga quanto no que é julgado, o tema acaba perdendo a excessiva importância que é dada e os problemas tendem a diminuir. Enquanto isso, muitas vezes recuar será o melhor caminho.

Bruno Brasil

Sobre a redução da Maioridade Penal

Posted in Opinião on 3 dezembro, 2013 by Bruno Brasil

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Redução da Maioridade Penal

Devido a complexidade do tema em questão, prefiro apenas pontuar algumas coisas que, para mim, são fundamentais na elaboração de alguma proposta.

Para começar, não sou a favor de uma simples mudança no código penal para que ele simplesmente venha a contemplar a redução da idade. Seria como numa tempestade eu desejar me cobrir com uma folha de papel. O resultado não seria tão positivo assim.

São questões mais sérias e profundas, que vejo, por exemplo:

Em relação a estatísticas (Interpretá-las é uma tarefa complexa!), elas apontam de um modo geral para uma realidade familiar imprópria às necessidades dos adolescentes.

Quando olhamos para a realidade penitenciária percebemos o quadro deficitário de vagas que existe. Deste modo, como assegurar que estes adolescentes estariam devidamente separados com outros do mesmo grupo? Se dentro das instituições que tem uma proposta diferente do sistema prisional convencional o percentual de reincidentes chega a 29%* que dirá se forem colocados nesses verdadeiros depósitos de gente?

Infelizmente temos a inclinação de sermos imediatista, crendo que o problema será melhor enfrentado com ações deste nível, no entanto, qualquer trabalho de repressão é sempre mais custoso (a médio/longo prazo) do que a prevenção. É mais legítimo concentrar esforços no combate às causas e não aos efeitos imediatos.

Outra questão é que a redução transfira toda a responsabilidade infracional ao adolescente e instale uma cultura do “lavar as mãos”.

Exceções à parte, não acredito que o jovem de 16 anos seja o mentor dos grandes esquemas de tráfico (seja lá que tipo), crimes, contrabando, corrupção, prostituição, e por aí vai… Penso que a educação ainda é a mola propulsora de mudanças reais e da libertação dos nossos jovens. No entanto, o que se esperar de um país onde o índice de analfabetismo funcional é gigantesco?

É importante considerar também o outro lado da questão:

É notório que existe um clamor da sociedade principalmente no que se refere aos crimes hediondos, que causam maior comoção social. Estes crimes prefiguram 14%* do total (fonte: http://www.fundacaocasa.sp.gov.br/images/midia/PesquisaInternos.pdf). É um número razoável e que não podemos desconsiderar. Além disso, é importante registrar que 84% dos internos são a partir dos 16 anos.

Outra fator que é importante considerar é a entrega de direitos de um lado, que exigiria uma responsabilidade razoável (como a possibilidade de escolher os rumos da nação) e ao mesmo tempo não trazer para o mesmo nível de responsabilidades, infrações consideradas hediondas (que exige uma capacidade de elaborações e execuções).

Sei que este contraponto não equilibra a balança, mas também não fica polarizada.

Penso que é preciso considerar o abismo existente hoje entre o ideal e o real e que soluções de base para a demanda neste nível levaria tempo. Considerando a grande roda gigante que ainda gira, entendo que não seria justo simplesmente dar um álibi aos menores infratores somente porque a origem da culpa aponte em outra direção. Seria como tentar me redimir dos meus pecados, colocando a culpa em Adão. Num certo sentido é verdade, mas não tira a minha responsabilidade no fato.

A partir disso me arrisco a dizer quatro coisas em síntese:

1) É necessária uma análise sincera para saber a idade em que um menor é um potencial ator imputável. Assim será possível equacionar melhor as dimensões de responsabilidades e poder transferir também aos pais a responsabilidade pelo ato dos filhos.

2) Como o código penal brasileiro é antigo (1940) e as muitas mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas, é razoável que se contemple outros mecanismos de aferição, como uma avaliação psicossocial que busca considerar além de outros fatores, o discernimento do indivíduo diante do ato, sua relação consigo mesmo e com a sociedade. E assim avaliar as penas a partir disso e da gravidade do crime.

Existe uma necessidade de tratar adolescentes de 16 aos 18 anos de um modo diferenciado, devido às estatísticas e o fato de já se encontrarem numa fase de transição importante.

3) Investimentos maiores nas fundações e instituições prisionais de modo a garantir proteção e oferecer condições legítimas de amparo, correção e reintegração à sociedade.

4) Uma presença mais efetiva do Evangelho frente a estas realidades.

Todas as outras questões em déficit no Brasil, como a educação, estão em outras esferas públicas e devem ser asseguradas independentes dessa discussão.

E você!? O que pensa sobre o assunto?

Bruno Brasil

Sobre o aborto

Posted in Opinião with tags , on 23 abril, 2013 by Bruno Brasil

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Para o momento vou expressar minha opinião apenas para os casos que hoje não são previstos em lei, ou seja, da mulher em qualquer condição decidir sobre a interrupção da gravidez até o 3º mês de gestação.

Pois bem, sou CONTRA!!!

Sob o ponto de vista do passado:

Contra, pois o país somente colhe os frutos de um incentivo a promiscuidade subliminar, uma vez que as campanhas publicitárias pagas pelo governo são em sua maioria pelo uso de preservativos e não pela valorização da fidelidade conjugal e da ordem familiar.

Sob o ponto de vista do presente:

Contra, pois não estamos diante de uma situação inevitável de gravidez, pois existem diversos meios acessíveis de evitar uma gravidez indesejada. Sei que existem falhas em alguns desses meios contraceptivos, mas são de ordem muito pequena e mesmo ocorrendo, as outras questões que apresento são passíveis dessa negação.

Contra, pois não desejar uma gestação não pode ser visto apenas sob o ponto de vista da mulher, mas do homem e principalmente do feto.

Contra, pois o feto é um ser independente e apenas mantém uma relação de simbiose com a mãe.

Contra, pois não se pode simplesmente transferir para o feto a responsabilidade pela gravidez indesejada. É muito mais pedagógico assumir a própria irresponsabilidade e lidar com o “problema” de frente do que eliminar o “problema” sem ter tido tempo de conversar com ele.

Sob o ponto de vista do futuro:

Contra, pois o índice de relações sexuais promiscua tendem a aumentar, elevando com isso os casos de infidelidade e de doenças sexualmente transmissíveis.

Contra, pois dependendo da demanda para abortos isso poderia levar meses para que a mãe conseguisse a intervenção médica o que continuaria levando muitas mulheres a buscarem outros meios “não legais” para a prática do aborto.

Contra, pois não há garantia legais que o governo dará apoio pós-aborto a estas mães para diminuir os traumas e efeitos psicológicos e emocionais. Isso sim certamente afetaria a saúde pública, considerando o quadro já existente do sistema público de saúde.

Contra, pois diante de um indivíduo com valor o mais correto é lutar pela sua preservação e não o contrário.

Sob o ponto de vista ético:

Quanto à generalização, ou seja, se todas as mulheres colocassem em prática esse direito, pelas vias naturais isso representaria a extinção da humanidade em menos de 100 anos.

Quanto à identificação, ou seja, se nos colocássemos como sendo o feto em potencial que fosse retirado eu nem estaria aqui para expor minha argumentação.

Enfim sou contrário aos casos ainda não previstos nas leis vigentes no país porque não posso ser cúmplice de uma irresponsabilidade onde a maioria das “justificativas” não justificam a retirada de um ser em potencial a vida.

Bruno Brasil

Sobre os Regimes Extremos de Condenação

Posted in Opinião with tags , on 26 março, 2013 by Bruno Brasil

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Prisão Perpétua e Pena de Morte

Sou Contra os dois regimes extremos de condenação.

Mas antes de me pronunciar sobre minha posição, quero dizer o seguinte:

Se as leis do nosso país não fossem tão flexíveis e as chamadas “progressões de regime” tivessem um critério melhor talvez a discussão desse assunto nem fizesse sentido para o momento. Hoje existe um problema caracterizado como senso de impunidade que infelizmente acaba favorecendo o opressor, além dos índices alarmantes de crimes.

Relaciono abaixo 6 (seis) medidas que julgo importante na direção de conter a violência:

1º O Estado deve ser firme no propósito de assegurar proteção social em todos os níveis tendo maior rigor para crimes considerados hediondos, com diferenças claras para o tratamento deste tipo de crime.

2º Ao terminar a pena o Estado deve fazer um acompanhamento bem criterioso para assegurar que o indivíduo tenha condições de retornar a vida em sociedade e monitorar durante certo tempo todos os indivíduos cuja prática delituosa tenha sido grave.

3º Para eventual caso de reincidência, medidas mais rígidas deverão ser adotadas buscando assegurar a proteção social.

4º Os crimes praticados na “esfera pública” devem ser tratados com extremo rigor, uma vez que o Estado é responsável em dar o exemplo. Deve-se cessar os privilégios de ordem legislativa e judiciária que os isente das mesmas punições de quaisquer outro cidadão.

5º O sistema prisional deve ser totalmente reformulado, incluindo a aplicação de medidas que estimulem o trabalho e diminua o ócio.

6º As famílias dos presos devem ser assistidas para que no retorno do preso ao convívio social, encontre uma família mais estruturada capaz de fornecer melhores condições para uma não reincidência.

Agora, quanto a minha posição contrária a “pena capital” ou “prisão perpétua” não tenho saída a não ser dar as mãos ao Evangelho:

Em primeiro lugar, Jesus relativiza os meus conceitos sobre justiça e impõe algo sempre mais profundo do que o fato em si.

Em Jesus o que era lei baseada no Fato hoje é fato baseado Lei. Ou seja, assassino não é aquele que somente tira a vida de alguém, mas aquele que “assassina” o outro com a própria vida.

Ora, Que lei é essa?

Antes a lei do “olho por olho, dente por dente”, tinha um propósito de trazer justiça contra abusos e também substituir a “lei do mais forte”. Em Jesus a lei que já era boa se torna ainda melhor, sendo substituída pela lei do amor sem recompensa.

O Evangelho me chama a não resistir ao perverso, ou seja, não buscar a justiça por conta própria. Temos mais a frente à lição de amar os inimigos e orar pelos que nos perseguem.

Jesus foi o exemplo de alguém que injustamente assumiu a culpa pelos erros de todos. Seria contraditório como cristão assumir uma posição contrária ao que o próprio Jesus viveu. Afinal Ele sendo Deus se esvaziou, sendo obediente até a morte. E quando morrendo disse: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”.

A maior expressão de amor do Evangelho se dá na aparente contradição, onde Deus, sendo criador de tudo morre pela sua criação. Esta mensagem de reconciliação com Deus me deixa “sem apoio”, “sem chão”, de “pernas pro ar”, sem chance para penas extremas e sem misericórdia.

Eu fui absolvido injustamente!

No entanto, para satisfazer a justiça, Ele foi condenado!

E assim, decidiu renovar seu amor por mim.

“De fato, no devido tempo, quando éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente haverá alguém que morra por um justo, embora pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda, por meio dele, seremos salvos da ira de Deus! Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! Não apenas isso, mas também nos gloriamos em Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem recebemos agora a reconciliação.” Rm. 5.6-11

Bruno Brasil

Sobre as COTAS nas Universidades

Posted in Opinião with tags , , , on 17 fevereiro, 2013 by Bruno Brasil

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Vou tentar resumir de modo objetivo o que penso sobre as Cotas nas Universidades.

O desafio é enorme, por isso a tentativa.

Sou a Favor das Cotas!
Sim! Sou a favor.

Primeiro sou a favor porque é uma dívida histórica que o Brasil tem com os negros que foram torturados, massacrados, julgados sem direito algum, e por fim colocados na rua sem amparo e sem direção.

Alguém tem de pagar essa conta!

Segundo, porque geralmente sou levado a dar as mãos as minorias e prefiro assumir o risco de uma decepção do que o ônus da omissão.

No entanto, sou a favor das cotas como medida temporária aliada diretamente a uma mobilização real do Estado de Direito. Afinal de contas, não é justo o Estado transferir simplesmente e de modo exclusivo um problema que é seu.

Em minha opinião o Estado deveria investir “x” recursos para cada aluno beneficiado deste sistema, pelo fato de ter estudado em escola pública. Com isso o Estado estaria também assumindo esta causa diante do próprio sistema educacional precário e não simplesmente transferindo responsabilidades.

Aponto a princípio 3 (três) riscos com relação as cotas:

Primeiro de que neste funil de cotas, haja injustiças e quem não tem acabe pagando pelo que tem. O risco existe, mas é pequeno.

Segundo porque o Estado acaba nivelando os direitos a partir do passado e não do futuro segundo as potencialidades de cada um.

Em terceiro lugar e a meu ver o mais crítico seria o de reforçar o próprio problema que se quer combater. Ou seja, quando eu classifico os direitos através de Cotas eu estou dizendo que alguém explora e alguém é explorado, o que pode aumentar o preconceito.

Não desejo que as pessoas fiquem refém das cotas por estar estudando numa escola pública de qualidade questionável e nem creio que a simples divisão de “raças” seja a melhor solução para reparar um dano histórico causado.

No entanto, não vejo hoje outra medida que seja razoável para assegurar no tempo presente uma igualdade de direitos, diante de um sistema educacional em funcionamento e com poucas perspectivas de alterar suas estruturas.

Assim como comecei dizendo vale a pena o risco da decepção do que ônus da omissão.

E de qualquer forma, a justiça histórica está sendo feita.

Bruno Brasil