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O Caminho do Perdão (Lc.19.1-10)

Posted in Mensagens on 29 agosto, 2012 by Bruno Brasil

Qual foi a última vez que você esteve decepcionado com alguém?
Você vive um momento de decepção?

Nesta vida este é um assunto que até os mais equilibrados, tolerantes e misericordiosos passam.
E quando a decepção ocorre com aqueles que mais gostamos a situação parece ser ainda mais difícil. Afinal seria a última pessoa que poderíamos esperar tal ofensa.

O fato é que em algum momento você será decepcionado ou será motivo de decepção para alguém.
O problema não está tão somente nas amostras de orgulho, transparência excessiva ou uma incapacidade de auto controle.
A decepção vem e vai mesmo quando consideramos todos os requisitos. Afinal, somos humanos e os humanos são diferentes, mas muito iguais na arte da decepção.

Pois bem, a questão é que para além do problema, acabamos por vezes levantando barreiras que impedem de que a decepção gerada seja transformada em ponte para reconciliação.

Quero chamar de mitos que nos afastam da arte da reconciliação:

Em primeiro lugar:
1) Esperar até que a outra pessoa reconheça o seu erro.
Esta é uma questão onde a busca geralmente é pela auto-justificação, afinal, quando espero do outro reforço minhas barreiras internas de afastamento. O perdão é uma atitude dos fortes, como dizia Gandhi, e não dos justiceiros que procuram sempre um motivo para dizer quem está com a razão.
Nossa atitude precisa exceder a dos escribas e fariseus (Mt. 5.20)

Em segundo lugar:
2) Esperar até que não esteja sentindo mais nada sobre o que aconteceu.
Aguardar a “cura” da decepção sofrida para liberar perdão pode ser fatal, uma vez que a falta de perdão desacelera o processo de cura. Não se esconda dizendo que a sua atitude pode ser hipócrita pelo fato de continuar sentindo a ofensa. Hipocrisia não é assumir uma postura verdadeira enquanto ainda sente efeitos da ofensa. Hipocrisia é negar-se àquilo que tem a ver com seu conjunto de valores.
O que você crê precisa organizar o que você sente e não o contrário!

Em terceiro lugar:
3) Não sentir-se culpado pelo erro.
A tendência daquele que foi ofendido geralmente é buscar se proteger atribuindo a culpa ao ofensor. Isso nos ajuda a nutrir o sentimento de decepção e não curá-lo. Ou seja, quanto mais você isenta sua participação no conflito, a ferida fica mais profunda. Quanto mais você considera a possibilidade de uma atitude sua, leva a discussão para um ponto. A reconciliação! A atitude do perdão deve ser sua, mesmo que da ofensa não tenha sido. “Se o seu irmão pecar contra ti…vá e reconcilie-se com seu irmão!” (Mt. 5.23,24)

Em quarto lugar:
4) Saber com certeza se a pessoa está 100% arrependida.
Este é um terreno que não dá para pisar. Pode ser muito escorregadio. Afinal, quem pode assegurar as reais intenções evolvidas no processo de reconciliação? Uma pessoa pode vir toda piedosa, mas com o coração distante, ao passo que uma atitude desconfiada pode ter sido sincera.
Nesse universo fuja das aparências e concentre apenas no ato de dar e receber perdão.
Apenas Deus, que conhece os corações pode sondá-los.

Ciente dessas barreiras o texto de Lc. 19.1-10 nos levam a um caminho do perdão:

1 Jesus entrou em Jericó, e atravessava a cidade. 2 Havia ali um homem rico chamado Zaqueu, chefe dos publicanos. 3 Ele queria ver quem era Jesus, mas, sendo de pequena estatura, não o conseguia, por causa damultidão. 4 Assim, correu adiante e subiu numa figueira brava para vê-lo, pois Jesus ia passar por ali. 5 Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: “Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje”. 6 Então ele desceu rapidamente e o recebeu com alegria. 7  Todo o povo viu isso e começou a se queixar: “Ele se hospedou na casa de um ‘pecador’ ”. 8 Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. 9  Jesus lhe disse: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. 10 Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido”.

Em primeiro lugar:
1) Ter atitude em meio à impossibilidade (3,4)
Zaqueu tinha uma impossibilidade para ver Jesus, (era de pequena estatura), mas isso não foi o suficiente para detê-lo. Buscou meios que o fizesse alcançar o seu objetivo.
Quantas vezes nos escondemos atrás daquilo que aparentemente nos prende para não fazer aquilo que nos liberta?
As vezes o egoísmo, o orgulho nos afasta desse caminho de perdão. Nosso senso de justiça própria nos deixa inoperantes. No entanto, precisamos estar sensíveis para que o Senhor nos mostre os meios para que os fins produzam em nós libertação e isso seja para o louvor de sua Glória.

Em segundo lugar:
2) Obedecer ao convite de Jesus (5,6)
Zaqueu podia ter simplesmente acenado para Jesus quando recebeu o convite para “descer depressa”, afinal Zaqueu desejava tão somente ver Jesus e isso poderia ser o suficiente. No entanto, Lucas nos conta que Zaqueu desceu depressa desejando estar mais próximo de Jesus.
A caminhada para o perdão só é possível quando temos Jesus como nosso aliado. Só existe espaço para o perdão quando nos aproximamos de Cristo, sem preocupação com as acusações a nossa volta.

Em terceiro lugar:
3) Transformar acusação em libertação (7)
Zaqueu não se preocupou com a “queixa” da multidão. Sabia que esta queixa era legítima, pois uma grande parte da sociedade era injustiçada nesta relação com os impostos. No entanto, sem o encontro com Jesus fica sempre mais difícil o apelo a misericórdia e a justiça.
A casa de Zaqueu foi um ambiente para entrega!
Quando somos casa de Deus não temos prazer em hospedar mais nada que não seja d’Ele.

Em quarto lugar:

4) Deixar ser quebrantado por Ele (8,9)
Zaqueu teve a casa cheia da presença de Jesus. Assim assumiu um compromisso de dar metade dos bens aos pobres e restituir 4x aqueles que tinham sido injustiçados por ele.
Quando nossa casa é cheia da presença de Jesus, a nossa atitude é o quebrantamento!
Somos levados ao perdão e só nos levantamos quando é para servir de extensão de Deus com a sua justiça.
Precisamos crer todo dia que o salário do pecado que traz a morte foi substituído pela vida eterna em Cristo Jesus.

Quanto mais reconhecemos nossas dívidas, maior se torna o sentimento de gratidão.
Assim só consegue perdoar quem já experimentou o perdão de Jesus!


Então, vamos trilhar esse caminho?

Que Deus nos abençoe.
Bruno Brasil