Bebida Alcoólica

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Bebida Alcoólica

Sei que é um assunto que ainda gera polêmicas e opiniões contrárias, mas quero pontuar algumas coisas que entendo serem importantes.

Nas escrituras o que temos descrito de bebida alcoólica é o vinho, pois era a partir de um fruto bem comum da época. Mas creio que podemos utilizá-la como base para qualquer outra bebida alcoólica.

O vinho era uma bebida comum em todo Israel e parte fundamental da cultura, por isso era também utilizado como expressão poética. Em ocasiões especiais (Gn.14.18), especialmente em festas (Et. 1.7; Jó. 1.18; Ec. 9.7; Jr. 31.12; Jo. 2). O vinho era sinal de provisão para o povo (Jl. 2.19). Jesus conta parábolas utilizando a figura da uva como exemplo.

O vinho era utilizado também para cura de feridas como o caso do bom samaritano que derramou vinho nas feridas do homem (Lc. 10.34) e também Paulo quando orienta Timóteo a que utilizasse de vinho em suas feridas de estômago (ITm.5.22).

Obs.: Há uma controvérsia se o vinho que a bíblia se refere, como recomendação para uso, era fermentado ou não, mas isso é uma questão que não posso fechar agora. Irei tomar como base o vinho que passou pelo processo de fermentação, ou seja, com teor alcoólico.

Embriaguez

Olhando as Escrituras é possível perceber que a embriaguez é um pecado (ICo. 6.9-11; Gl. 5.19-21), pois configura dominação (consciência) que é oposto do domínio próprio como fruto do Espírito (Gl. 5.23). Além disso, a embriaguez carrega o potencial de provocar outros pecados como, por exemplo, homicídio, brigas, adultério, incesto (IISm. 11.13; Pv. 23.29-35; Gn. 19.31-35).

Outros textos falam claramente sobre a bebida assumindo o domínio do indivíduo e que é reprovado pelas Escrituras. (Sl. 78.65; Pv.20.1, 23.20,30; Is. 28.1,7; Joel 3.3; Ef. 5.18)

Há também orientações aos pastores para que estes não sejam apegados a “muita bebida” (ITm.3.3).  Penso que aqui esteja implícita a questão do exemplo quanto à sobriedade.

O primeiro registro bíblico sobre o vinho é quando Noé planta uma vinha e acaba se embriagando, vindo a tirar a roupa e seu filho descobrir sua nudez (Gn.9.21). Certamente há uma lição que precisamos aprender aqui. O excesso geralmente nos faz cometer coisas absurdas.

Beber com moderação, pode?

O que é beber com moderação?

É certo que não podemos pensar em termos quantitativos, ou seja, quanto que eu posso beber, afinal, o que é moderação para um pode não ser para outro e, portanto, não temos um parâmetro para pensar nesses termos. Infelizmente o termo já se relativizou, pois estamos numa cultura de valores trocados. A moderação de hoje pode ser diferente de ontem e de amanhã…

Creio que podemos pensar em “moderação” a partir do que Paulo diz a Tito e a Timóteo nas Escrituras, veja:

“Ensine os homens mais velhos a serem moderados, dignos de respeito, sensatos e sadios na fé, no amor e na perseverança (Tt. 2.2).”

“Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério (IITm. 4.5).”

Pelo contexto é razoável que o termo se refere a uma atitude de equilíbrio, que não gere conflito de consciência (ofensa) a outras pessoas e por aí vai.

Então, beber ou não beber?

Existem aqueles que acham que a bebida deve ser radicalmente abolida e se o crente beber uma taça de vinho ou uma lata de cerveja já está em pecado. Outros – ao contrário – preferem radicalizar dizendo não haver nenhum problema ao se tomar bebida alcoólica.

Vejo que qualquer um desses caminhos é perigoso, pois de um lado alimenta-se uma preocupação muito mais com a estética de “não beber”, preocupando-se mais com o que se bebe do que porque se bebe. Do outro lado, aqueles que não veem problema algum, acabam indo a outro extremo e cometendo excessos que podem levar a consequências trágicas.

Penso que o exercício da própria consciência e respeito ao próximo deve pairar em qualquer tema inclusive nesse.

Liberdade, Consciência e Amor ao próximo:

Em Cristo o que nos regula na vida é a consciência dessa nova vida que temos.

Paulo diz que todas as coisas são puras para os puros (Tt. 1.15a) e feliz o homem que não se condena naquilo que aprova (Rm. 14.22).

Assim, a consciência acaba sendo mais crítica do que a Lei, pois as exigências da lei estão gravadas no coração e assim ela nos acusa ou nos defende, pois ela se amplia na subjetividade do coração (Rm. 2.15) e deve também considerar a consciência do próximo (Rm.14).

Hernandes Dias Lopes, um pastor que admiro diz que a ética cristã não se baseia somente no direito ou na consciência de cada um, mas no direito do outro e no amor ao próximo.

“Dessa maneira, não se pode fechar os olhos para a realidade de tantas tragédias pessoais decorrentes da bebida e das perspectivas da juventude brasileira, que está sendo consumida pelo álcool”.

Eu não encaro a questão da bebida como um dogma, mas dentro do tema da Liberdade Cristã que deve nos levar a algumas reflexões:

Em primeiro lugar para os que têm dúvidas se devem beber ou não, é melhor que não beba, afinal tudo que não provém de fé é pecado (Rm. 14.23);

Segundo, é necessário cuidar-se do “domínio próprio” que é uma das características do Fruto do Espírito. É importante considerar que, assim como em outros casos de vício, muitos têm dificuldades em perceber que está refém da bebida ou controlado por ela de alguma forma, até começarem os problemas. Assim é preciso vigilância e coragem para dizer “NÃO” muitas vezes;

A bebida ainda continua sendo uma poderosa arma nas mãos de Satanás para atingir as famílias e, portanto, todo cuidado é pouco. O exemplo na família, junto aos filhos principalmente, é fundamental.

Penso que é importante evitar também a bebida alcoólica na presença de pessoas não cristãs, porque qualquer vacilo pode ser fatal, além do mais, o álcool ainda está relacionado a diversas práticas condenadas nas Escrituras. Na presença de cristãos somente se estes tiverem em paz com relação a isso não sendo motivo de escândalo.

Agora, se alguém não consegue deixar de ingerir álcool devido ao grande sacrifício que se faz, então possivelmente se tem um problema nesta área e a bebida já exerça algum controle, sendo assim, talvez seja hora de radicalizar preferindo não beber até que se esteja em condições de fazer as escolhas de modo mais livre.

Resumindo, não creio que em si a bebida seja pecado, mas as questões acima ajudam a gente a perceber os perigos e a discernir como devemos agir diante dela.

Creio que na medida em que a consciência dos limites/consequências cresce tanto naquele que julga quanto no que é julgado, o tema acaba perdendo a excessiva importância que é dada e os problemas tendem a diminuir. Enquanto isso, muitas vezes recuar será o melhor caminho.

Bruno Brasil

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