O caminho inverso da injustiça!

nenos_pedindo

Neste final de semana estava em viagem a fim de resolver algumas coisas. No sábado fui até um mini-mercado a fim de atender algumas solicitações de minha prima e mãe.

Ao chegar no local me deparei com preços muito elevados, bem acima da média de custos em outros supermercados e muito distante do que se possa dizer como justo para aquisição, considerando também a média  de crédito que as pessoas atualmente disponibilizam.

Mesmo assim solicitei alguns produtos para compra e logo após a pessoa me informar o valor, retirei o dinheiro e efetuei o pagamento. Para minha surpresa, o dinheiro que recebi de troco era maior do que eu deveria receber, mas confesso que até menor para ser chamado de justo naquele instante.

Logo que me deparei com aquela situação, informei sobre o ocorrido, dizendo que havia recebido um valor a maior do que o informado por ela. Confesso que minha mente girou em direção a se “fazer justiça com as próprias mãos”. Mas foi apenas um pensamento em direção a justiça, posto que nem pensaria em fazer diferente do que fiz.

Depois fiquei pensando no ocorrido tentando tirar algumas conclusões:

Pensei…

Eu não tenho direito de cometer um ato que vai de encontro a outro que considero injusto, se utilizando da mesma prática injusta. Isso não gera correção ou mudanças de atitude, mas apenas alimenta a cadeia perversa de corrupção social e o desejo de benefício próprio, levando a graves conseqüências, inclusive no surgimento de uma guerra pela “justiça insana”.

Afinal temos um velho ditado que ainda continua operando principalmente nos dias de hoje. “Um erro não justifica o outro.”

Jamais!

Fazer de seu próprio braço, a tentativa de resolver todas as coisas, e ainda se utilizando do que é injusto para tal, é como assumir uma posição de auto  suficiência se vendendo pela mesma proposta recebida.

Prega-se a justiça fazendo justamente o contrário do que entendemos como injusto!

Tem gente que efetua duras críticas ao lado opressor, mas que freqüentemente se projeta como sendo um deles a fim de “gozar” das mesmas benesses e corrupções.

A pior corrupção é aquela que se ataca o lado opressor apenas porque não tem a oportunidade de estar do mesmo lado e praticar os mesmos delitos.

A corrupção moral é o que está por trás de muitas pessoas que ostentam de determinadas “posições” e “podem” gozar de privilégios sobre algum benefício, mesmo que seja de modo desonesto, perverso e desumano.

Já ouvi de pessoas que se dizem honestas, criticarem determinadas posturas de alguns governantes, mas que no fundo ostentam o desejo de se tornar as mesmas pessoas, se escondem atrás de uma cortina de fumaça, onde quem assiste desejando ter é o que mais se prejudica, ante aqueles que fazem por fazer. (As vezes o “fumante” ativo se torna menos “fumante” do que o passivo.) Se vem algum “fumante” exibe-se logo a placa “Neste local é proibido fumar!”, mas não perde uma oportunidade de inalar com todo prazer as fumaças simples e diárias da injustiça que são o nitrogênio daquilo que é mais prejudicial a mente e ao organismo.

O sapinho quando colocado em água morna, ele se acostuma com ela e acaba cozido lentamente!

Quando se coloca na água fervendo, ele logo pula fora.

As injustiças “sem proporções” que geralmente ocorrem no dia a dia são as que menos são notadas, porém quando surge algo “avassalador aos olhos” tem sempre alguém para criticar prontamente e dizer. “Eu não sou como um deles!”

Geralmente aqueles que apenas falam contra as injustiças, mas dificilmente se colocam de modo prático para mudá-las no seu cotidiano, não conseguem perceber e tirar lições de pequenas situações do dia a dia. Por isso, quando alguém vem falando muito em relação a “isso ou aquilo”, que poderia ser “assim ou assado”, gritando e se apartando daquilo que ele diz ser injusto ou de má fé, não oferecendo um modo prático de mudança de realidade (mesmo em proporções menores), acabam se aquecendo na água morninha da corrupção deixando-se levar lentamente ao ambiente de cozimento da alma, de insignificância do ser, sem saber que estão apenas aprontando o corpo para ser comido por alguma proposta indecente.

Os que têm fome e sede por Justiça conforme as bem-aventuranças de Jesus sabem que apenas serão satisfeitos caso a via de Justiça seja a do evangelho e não a própria.

Afinal ninguém tem méritos na questão!

A justificação é somente através de Jesus e apenas os que reconhecem, conseguem de modo mais intenso e profundo manifestar senso de justiça em direção ao outro. Do contrário se tem apenas revolta ou piedade, incapaz de se colocar como agente transformador.

Portanto meu desejo é que hoje, mais que tudo, reconheçamos que o Cordeiro ainda continua tirando o pecado do mundo, permitindo-nos denunciar a exploração, a corrupção (seja ela em que âmbito for) e oferecer como contrapartida o que sai do coração como honestidade, sinceridade e liberdade de consciência a fim de se produzir a justiça que tanto clamamos por acontecer.

Convido você a meditar também no livro de Isaías em seu capítulo 59.

Graça e paz!

Bruno Brasil,

Anúncios

1 comentário

  1. Amigo Bruno Brasil qual a congregação que você frequenta? aqui em Macau eu e minha esposa costimamos a frequentar a igreja Batista Regular. Parabéns pelos textos que você escreve, fiquei muito feliz com a descoberta deste Site, estou me deliciando, abraços. Nazareno Rocha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s